Toda bebida alcoólica do mundo nasce de um dos dois caminhos: a fermentação, em que leveduras transformam o açúcar de uma fruta, de um grão ou do mel em álcool, ou a destilação, que concentra o álcool de um fermentado por aquecimento.

A partir dessas duas técnicas, cada povo criou a sua bebida com a matéria-prima que tinha à mão: uva na Europa mediterrânea, cevada no norte frio, cana-de-açúcar nas Américas tropicais, arroz na Ásia, agave no México.

A lista a seguir reúne 20 nomes, organizados por família, com origem, base e teor alcoólico típico de cada um. Serve de mapa tanto para quem quer conhecer o assunto quanto para quem monta a prateleira de um bar, de uma adega ou de um mercado.

Fermentadas: as mais antigas

1. Cerveja. Fermentado de cereais maltados, quase sempre cevada, com lúpulo. É a bebida alcoólica mais consumida do planeta e do Brasil, com teor entre 4% e 6% na maioria dos estilos, podendo passar de 10% em versões especiais.

2. Vinho. Fermentado de uva, com registros de mais de 6 mil anos. Divide-se em tintos, brancos e rosés, secos e suaves, com teor entre 11% e 15%. O Brasil produz principalmente na Serra Gaúcha e no Vale do São Francisco.

3. Espumante. Vinho com gás natural de uma segunda fermentação, na garrafa ou em tanque. Champagne, Prosecco e Cava são versões com nome de origem controlada; o espumante brasileiro ganhou prêmios internacionais na última década.

4. Sidra. Fermentado de maçã, tradicional na Espanha, na França e na Inglaterra, com teor entre 4% e 8%. No Brasil, popularizou-se como bebida de festas de fim de ano.

5. Hidromel. Fermentado de mel e água, considerado uma das bebidas alcoólicas mais antigas da humanidade, associado aos povos nórdicos. Vive um renascimento artesanal, com teor entre 8% e 14%.

6. Saquê. Fermentado japonês de arroz, produzido por uma técnica própria em que o amido é convertido em açúcar e fermentado ao mesmo tempo. Teor entre 14% e 17%, servido quente ou frio.

Destilados: o álcool concentrado

7. Cachaça. Destilado brasileiro do caldo de cana fermentado, com teor legal entre 38% e 48%. É o destilado mais consumido do país, base da caipirinha e protagonista de uma geração de rótulos artesanais envelhecidos em madeiras nativas.

8. Vodca. Destilado neutro de cereais ou batata, associado à Rússia e à Polônia, com teor em torno de 40%. Sua neutralidade de sabor a tornou a base preferida da coquetelaria.

9. Uísque. Destilado de cereais maltados envelhecido em barris de carvalho, nascido na Escócia e na Irlanda. Single malts, blends, bourbons americanos e uísques japoneses formam as grandes escolas. Teor típico de 40% a 46%.

10. Gim. Destilado neutro redestilado com zimbro e outros botânicos, de origem holandesa e consagração inglesa. O movimento do gim-tônica devolveu a bebida ao topo do consumo mundial. Teor de 37,5% a 47%.

11. Rum. Destilado do melaço ou do caldo de cana, criado no Caribe. Vai do branco leve dos coquetéis aos envelhecidos escuros de degustação, com teor em torno de 40%.

12. Tequila. Destilado mexicano do agave azul, produzido apenas em regiões demarcadas. Versões prata, reposado e añejo indicam o tempo de madeira. Teor entre 35% e 55%.

13. Conhaque. Destilado de vinho envelhecido em carvalho, produzido na região francesa de Cognac. Fora dela, a mesma técnica gera os brandies. Teor em torno de 40%.

14. Pisco. Destilado de uva sem envelhecimento em madeira, disputado como patrimônio entre Peru e Chile. Base do pisco sour, com teor entre 38% e 48%.

15. Grapa. Destilado italiano do bagaço da uva que sobra da produção do vinho. No Brasil, versões locais são chamadas de graspa, herança da imigração italiana no Sul. Teor de 37% a 50%.

16. Soju. Destilado coreano tradicionalmente de arroz, hoje também de outros amidos, com teor mais baixo que os destilados ocidentais, entre 16% e 25%. É uma das bebidas destiladas mais vendidas do mundo em volume.

O que o mercado brasileiro consome

Antes de fechar a lista, vale situar esses nomes no balcão real. A cerveja domina o volume nacional com folga, seguida pela cachaça entre os destilados e pelo avanço recente de gim, uísque e espumantes.

O calendário também mexe com a prateleira: no Nordeste, o ciclo junino movimenta cachaça, licores caseiros e bebidas quentes em uma escala que redesenha o estoque dos revendedores por semanas.

Segundo explicitam os especialistas do mercado fornecedor de bebidas em Paraíba, a procura por categorias específicas segue o calendário de festas do estado: a temporada de São João, que tem em Campina Grande um dos maiores festejos do país, multiplica os pedidos de cachaça, licores de frutas regionais e vinhos de mesa para o quentão, enquanto o verão do litoral puxa gim, vodca e espumante nas casas de praia de João Pessoa.

Para bares e mercados, a leitura desses fornecedores é direta: a lista de bebidas que uma loja deve ter não é fixa, ela gira com as festas da região, e o revendedor que ajusta o portfólio um mês antes de cada ciclo vende o que o cliente procura sem encalhar o restante do ano.

Licores e compostas: o açúcar entra em cena

17. Licor. Destilado adoçado e aromatizado com frutas, ervas, café, chocolate ou cremes, com teor entre 15% e 35%. Vai do limoncello italiano aos licores caseiros de jenipapo, tamarindo e maracujá do Nordeste brasileiro, presença certa nas festas juninas.

18. Vermute. Vinho fortificado e aromatizado com ervas e especiarias, entre elas o losna que lhe dá nome em alemão. Base de clássicos como o Negroni e o Manhattan, voltou à moda com a coquetelaria. Teor de 15% a 18%.

19. Bitter ou amaro. Família de aperitivos e digestivos de ervas com sabor amargo, de tradição italiana, com teor entre 11% e 30%. O aperitivo de cor vermelha que domina o spritz é o representante mais conhecido no Brasil.

20. Absinto. Destilado de ervas com destaque para a losna e o anis, de alto teor, entre 45% e 74%. Cercado de mitos desde a Paris do século 19, foi proibido em vários países e voltou legalizado, hoje regulamentado também no Brasil.

Um detalhe de rótulo que poucos observam

No Brasil, quem regula a produção e o registro de bebidas alcoólicas é o Ministério da Agricultura, e o rótulo obrigatório informa a matéria-prima, o teor alcoólico e o registro do produtor.

Isso permite ao comprador atento distinguir, por exemplo, uma cachaça de uma aguardente de cana genérica, um licor de um coquetel composto pronto, ou um espumante de método tradicional de um filtrado doce gaseificado.

Para o revendedor, a leitura do rótulo tem função prática: bebidas sem registro, com rótulo precário ou preço muito abaixo do mercado são o principal indício de falsificação, um problema real no país, sobretudo em vodca, uísque e gim. Comprar de fornecedor estabelecido, com nota fiscal e lacre íntegro, protege o comerciante e o cliente final.

Como usar esta lista

Para o consumidor curioso, os 20 nomes cobrem o essencial de qualquer carta de bar do mundo, e a divisão entre fermentadas, destiladas e licores ajuda a entender rótulos e cardápios.

Para quem revende, a lista funciona como inventário de partida: cerveja, cachaça, vodca e vinho formam o núcleo de giro em quase qualquer praça; uísque, gim, espumante e licores compõem a camada de margem; e o restante entra conforme o público e o calendário local.

Duas observações finais valem para todos os nomes. A primeira é legal: a venda de bebidas alcoólicas no Brasil é proibida para menores de 18 anos, e a fiscalização sobre o ponto de venda é crescente.

A segunda é de saúde pública: o Ministério da Saúde e a Organização Mundial da Saúde alertam que não existe nível de consumo de álcool isento de risco, e a moderação é a única recomendação universal. Conhecer as bebidas, sua história e sua produção é cultura; o consumo, quando existir, pede responsabilidade.

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