Quem passa pela prótese no joelho relata dor nas primeiras noites, fisioterapia diária e ganho gradual de movimento.

Existe um número que quase todo paciente com artrose avançada sabe de cabeça: os degraus da escada de casa. Há quem conte 14 durante três anos antes de aceitar a cirurgia, e quem, na última semana antes de operar, subisse dois, parasse, respirasse e seguisse. Os depoimentos de quem colocou prótese no joelho costumam girar em torno dessa mudança: subir todos os degraus de uma vez, sem pensar no joelho.

A prótese no joelho é uma das cirurgias ortopédicas mais comuns e mais estudadas, e o relato dos pacientes segue um padrão. O medo é o mesmo: a dor do pós-operatório, o tempo parado e a dúvida sobre voltar a andar direito. Este texto reúne o que pacientes e a literatura médica descrevem sobre cada fase, da decisão de operar ao sexto mês.

O conteúdo é informativo e não substitui a orientação do ortopedista que acompanha cada caso. Febre, vermelhidão intensa, secreção na ferida ou dor na panturrilha com inchaço pedem contato com a equipe.

A decisão de operar: quando o joelho manda no dia

Ninguém decide de uma hora para outra. A Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia orienta que a artrose do joelho seja tratada primeiro sem cirurgia, com perda de peso, analgésicos, fortalecimento muscular e, em alguns casos, infiltrações. A prótese entra quando esse caminho se esgota.

O relato mais frequente é o da dor que acorda à noite. Pacientes contam que dormiam com o joelho apoiado em um travesseiro e acordavam duas vezes por madrugada. A radiografia mostra osso encostando em osso, sem cartilagem entre eles, e o implante substitui justamente essa superfície gasta.

O volume dessas cirurgias dá ideia de quanta gente chega a esse ponto. Um levantamento publicado na Revista Brasileira de Ortopedia, com dados do Datasus, contou 189.457 cirurgias de artroplastia de quadril e joelho pelo SUS entre 2008 e 2015.

Tipos de prótese e técnica

Existem a prótese total, que troca toda a superfície articular, e a parcial, indicada quando só uma parte do joelho está desgastada. Há também técnicas com navegação por computador e com auxílio de robô, que ajudam o cirurgião a posicionar o implante com precisão. Em Goiânia, esses recursos já são oferecidos em alguns serviços, e a escolha depende da avaliação do ortopedista.

A tecnologia ajuda, mas o principal fator de sucesso continua sendo a indicação correta, a experiência da equipe e a reabilitação.

Prótese no joelho: os primeiros dias de pós-operatório

Os pacientes costumam descrever as primeiras noites como a parte mais difícil. A dor é controlada com analgésicos em horários fixos, e o joelho fica inchado e quente. Gelo e elevação da perna aliviam. O cirurgião orienta o uso de anticoagulante por algum tempo, para reduzir o risco de trombose.

Em muitos serviços, o paciente é estimulado a se levantar no dia da cirurgia ou no seguinte, com andador. Isso assusta, mas acelera a recuperação, reduz complicações e encurta a internação, que costuma ser de um a três dias.

Fisioterapia: a parte que ninguém consegue pular

É consenso nos relatos: a fisioterapia decide o resultado. Os exercícios começam logo nos primeiros dias, para recuperar a flexão e a extensão, e seguem por semanas. Dobrar o joelho dói, e muitos pacientes contam que precisaram de insistência para chegar aos 90 graus de flexão e, depois, aos 110 ou mais.

Quem faz os exercícios em casa, nos horários combinados, costuma evoluir melhor. Quem abandona cedo, por medo da dor, pode ficar com rigidez, e às vezes precisa de um procedimento para soltar o joelho.

Três e seis meses depois: o que mudou

Em torno de seis semanas, a maioria dos pacientes já anda sem apoio e retoma atividades leves. Aos três meses, o inchaço diminui, a dor do dia a dia fica discreta e dá para subir escadas. Entre seis meses e um ano, a prótese costuma deixar de ser assunto, embora o joelho possa seguir um pouco inchado no fim do dia.

O resultado varia. A maior parte dos pacientes relata melhora importante da dor e da capacidade de caminhar, mas o joelho com prótese não é idêntico ao natural: pode haver sensação de estranheza ao ajoelhar e uma pequena diferença de movimento.

Arrependimentos e o que fariam diferente

Entre os relatos, dois arrependimentos aparecem com frequência. O primeiro é ter esperado tanto para operar, vivendo meses com dor e perdendo força muscular. O segundo é não ter feito a preparação: fortalecer a coxa, perder peso e organizar a casa antes da cirurgia facilita a recuperação.

Outros dizem que gostariam de ter aceitado mais ajuda nas primeiras semanas, retirando tapetes, instalando barras no banheiro e deixando o quarto no andar térreo.

Riscos e quando procurar o ortopedista

Como toda cirurgia, tem riscos: infecção, trombose, rigidez, afrouxamento do implante e dor persistente. Eles são pouco frequentes, mas existem, e o cirurgião deve discuti-los antes. A vida útil de uma prótese costuma ser de 15 a 20 anos ou mais, e pode haver necessidade de revisão.

Procure o ortopedista antes de operar se a dor limita as atividades, não melhora com o tratamento clínico e interfere no sono. Ele avalia a radiografia, a saúde geral e as expectativas e explica se é o momento.

Como se preparar antes da cirurgia

A preparação começa semanas antes. Fortalecer a coxa com exercícios orientados facilita a recuperação, e perder peso, quando há excesso, reduz o risco de complicações. Doenças como diabetes e hipertensão precisam estar controladas, e o cigarro deve ser suspenso, porque atrapalha a cicatrização.

Em casa, vale retirar tapetes, instalar barras de apoio no banheiro, providenciar um assento mais alto para o vaso e deixar os itens do dia a dia ao alcance. Combinar com a família quem vai ajudar nas primeiras semanas evita improviso.

Nada disso é exagero.

Exames pré-operatórios e a avaliação do clínico ou do anestesista fazem parte do pacote. Vale ainda conversar com o ortopedista sobre expectativas realistas: o objetivo é aliviar a dor e devolver autonomia no dia a dia, e não recuperar o joelho de vinte anos atrás.

Voltando às atividades da vida

Dirigir costuma ser liberado entre quatro e seis semanas, quando o joelho dobra e freia sem dor. Atividades de baixo impacto, como caminhada, bicicleta e natação, entram a partir de dois a três meses. Corrida, saltos e esportes de contato são desencorajados, porque aumentam o desgaste do implante.

E o trabalho?

O retorno ao trabalho depende da função: em atividades de escritório, costuma ocorrer entre quatro e oito semanas, e em funções que exigem ficar de pé ou agachar, pode levar de três a seis meses. Combinar com o médico um plano gradual, com tarefas adaptadas, evita sobrecarga no joelho operado.

Viagens longas exigem cuidado com a circulação, com pausas para caminhar e meias de compressão, se indicadas. Antes de procedimentos dentários ou cirurgias futuras, vale avisar a equipe sobre o implante.

Um resumo para guardar

Os relatos de quem fez a prótese no joelho se repetem: decisão tardia, primeiras noites difíceis, fisioterapia como parte central e melhora clara da dor entre três e seis meses. A cirurgia é indicada quando o tratamento sem operação não basta.

Prepare a casa, fortaleça a musculatura antes, siga a reabilitação e tire as dúvidas com o ortopedista. Sinais de infecção ou de trombose pedem contato imediato.

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